21/09/2017

Nova entrevista da banda para "Amy&Pink"



Depois da monção
Nós falamos com o Tokio Hotel sobre drogas, sexo e música alemã.

Eu vou ser honesto: Eu não sou um grande fã de entrevistas com artistas. Isso tem a ver com o fato de que você nunca encontra algo novo. Geralmente é totalmente chato, o artista nem sequer tenta ser interessante e eles apenas dizem as suas respostas automáticas. " A gravação foi algo muito especial, as músicas vêem do coração e o álbum é claro é o melhor que nós já fizemos!". Ok obrigada, tchau.

É claro, é o trabalho dos nossos entrevistadores em vir com algo interessante para ter respostas animadoras mas muitos artistas já estão imunes. E então no final da entrevista você só tem informação que só seria interessante para pessoas de 50 anos de idade da revista alemã "Die Bunte" que leriam.

Quando me pediram para entrevistar o Tokio Hotel, meu pessimismo meio que foi embora. Tokio Hotel é aquela banda que ninguém sabe o que eles estão fazendo; a banda que fez fãs chorarem com suas músicas de rock e que fizeram moças francesas aprenderem alemão e a banda pela qual muitas pessoas riram.

" Haha, Tokio Hotel, não, nunca ouvi essa merd*. Eu não entendo o por quê eles são tão famosos. E o que eles estão fazendo atualmente? não tenho ouvido falar sobre eles tem muito tempo!". Uma entrevista com a banda que não quer mais ficar na Alemanha e se mudaram para LA seria interessante. Então, o que aconteceu com Tokio Hotel? como eles mudaram? como suas músicas mudaram?

Eu já posso responder a última pergunta: Há meio ano atrás, seu álbum "Dream Machine" foi lançado - e não tem nada em comum com a banda teen de rock de antes. Hoje o Tokio Hotel está fazendo um Pop-sintético que claramente tem um toque nos anos 80. Não é nem uma má idéia desde que a década esteja hip agora - e eu tenho que admitir: Nem sequer soa ruim! Eu nunca pensei que diria isso sem soar irônico. Desde que eu passei dessa ponte, eu estou pronto para a entrevista com Bill, Tom, Georg e Gustav - E dois cachorros grandes, que também estão na sala. 


Eu quero falar sobre o atual álbum "Dream Machine" pela qual eu realmente gostei! Com esse que vocês fizeram longe da gravadora, vocês produziram tudo e tomaram decisões sozinhos. Isso foi meio que um sinal de liberdade?
Bill: Sim, eu diria isso. Nós não tivemos que trabalhar com alguém pela primeira vez. Antes nós tínhamos produtores que tivemos que trabalhar juntos (escrevendo e produzindo) e essa foi a primeira vez que eles tiveram que fazer nada. Nós não queríamos assinar um contrato antecipadamente, nós queríamos nos concentrar na nossa música e então procurar por uma gravadora que acha que a nossa música seja legal. Em primeiro lugar nós só queríamos fazer a música que nós gostamos e que nós estamos felizes em fazer - e levar as pessoas a bordo, que pensa que a música é realmente legal e não faria nada para mudar isso.

Tom: E não nos dizer antecipadamente uma estratégia como "Garotos, vocês tem que fazer isso e aquilo!" mas sim nos ouvir, o que nós queremos e então nos dizer se isso é legal ou não.
Bill: "Starwatch" (gravadora atual da banda) gostou mais disso, então escolhemos eles.


Eu posso sentir a experiência e a confiança que vocês tiveram com o passar dos anos. Vocês realmente sabem o que querem.
Bill: Nós voltamos para o início, bem antes de "Durch den monsun". Naquela época nós já tínhamos feito a nossa música e subimos ao palco. E mais tarde quando as outras pessoas te dizem o que você tem que fazer, eu quero dizer, quando o seu hobby se torna o seu trabalho, você perde seu próprio caminho também como a essência da coisa toda. Nós fazemos o que fazemos, sim, porque nós gostamos de produzir música e estar no palco. Tom gosta de produzir e escrever, então colocamos ele no estúdio e conferimos como isso funciona da nossa maneira. E foi bem, nós todos estamos felizes e por isso nós não trabalhamos com outro compositor ou produtor.


O album se chama "Dream Machine" - vocês falam sobre estar em um mundo dos sonhos, o que é escapar da realidade. A realidade não é o suficiente?
Tom: Eu acho que tem altos e baixos. As vezes você gosta da realidade e as vezes você gosta menos. Nós tivemos o título "Dream Machine" antes de termos a música. Honestamente mesmo antes de começarmos a trabalhar no álbum. Eu não sei nem o por quê...
Bill: Porque para nós o Tokio Hotel é um lugar para se esconder. A banda é meio que um mundo de sonhos para nós que nós nos criamos, além de ter nossas vidas diferentes privadas com todas as músicas e turnês. Nós não conseguimos imaginar uma vida sem tudo isso e eu acho que é o ponto para todos nós, onde nós voltamos. É algo constante nas nossas vidas, não importa o que aconteça nas nossas vidas privadas fora da banda. Nós sempre queremos voltar para esse mundo dos sonhos onde nós fazemos o que queremos fazer. É a razão pela qual o álbum é chamado de "Dream Machine". 


As músicas são sobre procurar por um significado, o olhar para o passado e o medo de não repetir a si mesmo mas procurar por algo animador. Sentimentos que nós temos que lidar com isso há milênios. 
Tom: Isso definitivamente tem um fundo pessoal para nós. Nós tivemos muito sucesso quando éramos jovens, nós vimos quase o mundo inteiro quando tínhamos 18 anos. As vezes nós nos perguntamos se há algo novo que ainda está por vir e então temos o medo se o novo que está por vir poderia ser uma versão menor do que nós já sentimos. Bill e eu sempre falamos sobre isso, é mais legal quando você experimenta algo pela primeiríssima vez. O primeiro número 1 (no topo de músicas), a primeira vez usando drogas, morrer na primeira vez que sentir o ecstasy (depois da droga), a primeira vez no sexo..
Ok, talvez não esse. Seja lá qual primeira experiência for, é sempre a mais animadora e tudo depois é só uma forma disso, não é mais animador. As vezes você precisa mudar as perspectivas para aproveitar as coisas de um jeito diferente, ao invés de aproveitar mas com menos expectativa. Isso é o que "something new" é, nosso primeiro single, o que apresentou ao álbum. Mas eu acho que é especialmente porque a história é algo pessoal sobre a nossa carreira "do 0 ao 100". Nós já fizemos muitas coisas quando éramos jovens então algum dia as coisas se repetem sozinhas e você pensa "Droga, espero que..."
Bill: Então você tem algo como uma crise cedo no meio da vida.
Tom: Sim, as vezes você pensa "Espero que tudo fique animador o suficiente!". Bill e eu desejamos que os Aliens visitem a terra porque seria algo novo e extremamente animador. Nós amamos a ansiedade, adrenalina e o stress. Nós realmente aproveitamos isso mas as vezes estamos assustados que nada possa nos animar mais. Já que isso foi nossa primeira vez, em cada nível da nossa primeira vez. Com a banda, nós estamos em um ponto onde não poderíamos estar mais felizes mas você ainda pensa em coisas como essa. 

Quando eu olho para o mercado da música alemã, eu tenho a sensação de que vocês não são convencionais para eles. Vocês acham que vocês não são alemães o suficiente para Alemanha?
Bill: Nós não somos o clássico artista alemão como eles, como cantores-compositores que apenas sentam lá, cantam em alemão e são sempre pé no chão. Nós sempre tivemos grande shows, muito visual. Os alemães acham legal quando os artistas americanos fazem isso mas quando isso acontece com artistas alemães, eles não gostam. O mercado estrangeiro ficou mais interessante para nós. Nós nunca tentamos ser os caras legais perto de você que fizeram uma carreira na Alemanha.
O sucesso no exterior nos fez mais relaxados, nós não ligamos a mínima para algumas coisas porque nós tínhamos a luxúria de saber que não éramos dependentes da Alemanha. Nós nunca tentamos pensar sobre o mercado alemão, o que eles querem ouvir mas nós poderíamos ver um pouco global, correr livremente com as coisas que queríamos fazer. De qualquer jeito, é mais sobre se divertir com as coisas que fazemos.
Nossa música nunca foi tocada na rádio alemã, nem mesmo "Durch den monsun". Nós nunca tivemos um Top10 tocando na rádio. Ainda é assim agora. As estações de rádio tem nossas músicas mas eles dizem coisas do tipo "Se fosse música vindo do Coldplay nós iríamos para a rotação máxima,mas já que é do Tokio Hotel, nós não vamos tocar". É assim. Nós não precisamos escrever uma música de rádio para a Alemanha.  É claro que eles não vão tocar de qualquer jeito. E nós aceitamos isso como é. Nós regeneramos uma boa relaxação.


Há alguns anos atrás, vocês se mudaram para LA. para ter uma distância da Alemanha. O que mudou na Alemanha quando vocês voltaram?
Bill: Eu acho que foi mais tranquilo. Quando nós envelhecemos, as pessoas foram mais respeitosas com a gente. Isso se tornou mais fácil para nós em andar por aí. De qualquer jeito eu gosto mais de estar de volta na Alemanha. É como você estar em férias em algum lugar.  Você só vê as coisas boas porque você não tem uma vida diária aqui. Por isso eu posso aproveitar Berlin diferentemente de antes e eu realmente gosto de estar aqui. Também porque eu sei, que eu posso ir embora. 


Além de Rammstein, vocês eram a razão pela qual os franceses começaram a aprender alemão para entender suas músicas. Desde que vocês não fazem mais esse serviço, as letras em alemão não são mais um objetivo para vocês?
Bill: Depois do 3º álbum, nós paramos de cantar alemão porque as composições foram feitas em inglês. no passado, nós traduzíamos as músicas do alemão e nos sentíamos um pouco forçados a isso. As vezes não concordávamos em fazer isso e pensamos, "Ok, quando todas as músicas forem produzidas em inglês, deixem elas em inglês!". Naquela época, nós tivemos algumas discussões com a nossa gravadora porque é claro eles queriam que as músicas fossem em alemão mas nós negamos em fazer isso e não fizemos.
Tom: Não é que o alemão não importa mais, mas nós fizemos a regra de que é melhor deixar as músicas na linguagem que elas foram produzidas.
Bill: Mas eu não acho que a gente vá mudar para o alemão no futuro. Quando nós começamos, mal tinha artistas que foram famosos com a música alemã. De qualquer jeito, isso não tinha a ver com a nossa linguagem nativa, nós apenas não sabíamos inglês. Mas agora há uma tendência com a música alemã. No momento é mais sobre ser uma solução multiuso para as pessoas que não tem mais sucesso como um tiro certo. Talvez iremos produzir uma música alemã algum dia de novo mas o momento não está para isso.
































Tradução por Pensamentos TH

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